26/10/2015

Julgue-me se for capaz

Imagine que pra cada vez que você falasse mal de uma pessoa, você perdesse um dia de vida. Cada vez que você julgasse sem fundamentos, uma semana. Cada vez que você odiasse alguém, um mês. E a cada agressão, verbal ou física, um ano. Quanto tempo de vida você ainda tem?

Por causa dos outros, passei a medir minhas atitudes e lembrei a mim mesma que eu já julguei, já odiei e já fofoquei, mas decidi que agora quero viver em paz. Viver sabendo que dei a chance para as pessoas.  Quero ter a consciência de que não às medi sem antes conhecer profundamente e mesmo assim... 

Queria MESMO que meus colegas de vida lessem isso e não pensassem: “Af, indireta pra mim.” porque isso é MESMO uma indireta direta porém, pra todos vocês. Também não quero que pensem “Nossa, mas ela é isso e isso, não tem direito disso e disso.”. Apenas lembre-se que estamos aqui pra aprender e que eu já errei e sou completamente imperfeita, mas nesse assunto, em especial, estou me dedicando para mudar radicalmente a partir de HOJE (anota a data aí).

Não é legal conviver todos os dias com pessoas que te medem da cabeça aos pés, que tem uma imagem pré-conceituada e que nem te dão uma oportunidade de reverter isso. Nunca se sentaram com você e perguntaram da sua vida. Não sabem de “onde” você veio e o que te trouxe para o aqui e o agora. Não sabem seus sofrimentos. Não sabem sua linha de pensamento...

Pré conceito tá no piloto automático do ser humano, mas mudar a primeira impressão de algo ou alguém vai da vontade de cada um.

Você tem o direito de desgostar de quem quiser, mas imagina que legal não perder tempo com isso? Ou então, imagina que legal tentar entender porque seu santo não bate com fulano e pedir uma conversa pra conhecer a trajetória dele? Você ganharia um “inimigo” a menos e quem sabe um amigo a mais...

Dizem que ódio é gratuito, mas NÃO é! Lembre-se que: “Ódio é o veneno que você toma querendo que o outro morra.” Eai, quanto tempo de vida você ainda tem?

24/08/2015

The Book of Tomorrow

The Book of Tomorrow, de Cecilia Ahern
Páginas: 336 | Editora: Harper Collins
Esse é o primeiro livro em inglês que resenho aqui no blog, também é o primeiro que leio por diversão, os que já tinha lido foram a trabalho, mas já comecei com o pé direito. Imagina um livro com: romance, mistério, luto, problemas familiares e um pouco de mágica? Pois foi com essa composição de enredo que a Cecelia Ahern me surpreendeu em The Book Of Tomorrow. Ah! O livro já foi publicado no Brasil, pela editora Novo Conceito, com o título O Livro do Amanhã.

Tamara é uma jovem de 16 anos que encontrou seu pai morto no escritório. Agora ela tem que aceitar o suicídio e a perda de todo o império que ele construiu. Para uma garota mimada e acostumada com o luxo, será bem difícil se mudar com sua mãe para a casa de seus tios, em uma pacata cidade. Rosaleen e Arthur, os tios da jovem, são bem peculiares e causam curiosidade desde sua chegada.
“Sometimes when people offer a helping hand, it gets pushed away. People always want to help themselves first.” – pag. 10
Frustrada com a falta do que fazer, Tamara conhece Marcus e sua biblioteca ambulante e no meio de um romancezinho com o condutor da biblioteca, ela encontra um livro curioso, com um cadeado, mas sem sua respectiva chave. Ao conseguir ajuda de uma freira da vizinhança, ela abre o livro e descobre que suas folhas estão em branco, esperando serem preenchidas, como um diário. Mesmo um pouco relutante em escrever algo sobre sua vida, ela resolve tentar, achando paz nas ruínas de um antigo castelo próximo, abre seu novo diário para iniciar seus relatos porém, qual é sua surpresa quando o diário já foi preenchido com sua própria letra? E com a data do dia seguinte?
“It takes a lot not to say a lot, because when you’re not talking, you’re thinking, and he thinks a lot.” – pag. 18
Tamara tem em mãos algo mágico, um diário escrito por ela que lhe conta o próximo dia de sua vida. É algo bem maluco, sim! Claro que é! Mas os fatos escritos se tornam realidade e assim é possível que ela mude seu dia de amanhã. Tentando ajudar sua mãe a voltar ao normal e descobrindo mais sobre a vida de seus tios, tão misteriosos.
“Hope, like that, as I thought before, doesn’t make you a weak person. It’s hopelessness that makes you weak. Hope makes you stronger, because it brings with it a sense of reason. Not a reason for how or why they were taken from you, but a reason for you to live. Because it’s a maybe. A ‘maybe someday things won’t always be this shit.’ And that ‘maybe’ immediately makes the shittiness better.” – pag. 115
No começo, achei que era um livro que falaria sobre o luto da personagem e sobre a mudança de seu caráter, mas me surpreendi quando uma tonelada de mistérios começaram a aparecer. Quando estava quase na metade do livro, a curiosidade era tanta, que terminei o resto em um dia só e SIM! O livro cumpre suas promessas e correspondeu a todas as minhas expectativas. A história do castelo, o que está acontecendo com a mãe de Tamara, porque Rosaleen é tão possessiva, porque Arthur é tão quieto. Tudo isso tem uma explicação plausível e a mágica inserida no livro não parece nada absurda, eu quase acreditei que poderia acontecer de verdade.
“You shouldn’t try to spot everything from happening. Sometimes you’re supposed to feel awkward. Sometimes you’re supposed to be vulnerable in front of people. Sometimes it’s necessary because it’s all part of you getting to the next part of yourself, the next day.” – pag. 173
Eu recomendo The Book of Tomorrow pra leitores de qualquer gênero, essa mistura na composição de Cecelia Ahern deu mais do que certo. Eu to completamente apaixonada pela história. É o tipo de livro que me deixa órfã depois da leitura. Principalmente depois de um final surpreendente como aquele. 

Ah! E sem querer dar spoilers nem nada, mas tem muuuuitas surpresas no romance desse livro. Você pensa que será uma coisa, mas Cecelia pode muito bem enganar o leitor.

09/06/2015

A Garota que Tinha Medo

A Garota que Tinha Medo, de Breno Melo
Páginas: 280 | Editora: Chiado
Quando vi a resenha desse livro no blog do Luciano, eu tive certeza de que teria de ler, primeiro por se tratar sobre um assunto tão delicado como a crise de pânico e segundo por ser de autor brasileiro. Com muito prazer, aceitei o convite do autor Breno Melo para ler sua obra e resenhá-la aqui no blog. Confesso que devido ao assunto, a leitura foi difícil, me senti muito incomodada e experimentei os mesmos medos que a personagem. Tinha que deixar um pouco o livro de lado e distrair a cabeça antes de voltar a ler.

Marina é uma garota que sempre se dedicou muito aos estudos e agora que tem um namorado e entrou em uma das faculdades que queria, começa a ter ataques de pânico dos mais tensos. Com direito a gritos, falta de ar, sentimento de engasgamento, suor, entre outros sintomas relacionados ao medo. 

No começo de tudo somos apresentados a uma menina normal que se esforçou na vida acadêmica inteira para estudar em uma boa faculdade, mas que no começo das aulas experimenta drogas com suas novas colegas de curso e vai parar no hospital com uma overdose. A história se passa no Paraguai e desde o começo o autor mostra como a personagem é cobrada por sua mãe em seus estudos, quase não tendo vida social. A garota tem um blog literário, gosta de tirar fotos e passear com seus cachorros, mas quando começa seus ataques de pânico, isola-se do mundo.

Para ajudar, seus ataques acompanhados de gritos ensurdecedores, transtornam todos ao seu redor, que não sabem o que está acontecendo e nem como lidar com a situação. Uma das primeiras pessoas a se afastar é seu terrível namorado Julio, que, assustado, a considera uma louca.

Breno Melo fez uma pesquisa impecável, nos apresentando tanto os sintomas, como conseqüências, curas e o modo como as pessoas ao redor devem lidar com um caso delicado como esse. 

Eu mesma já sofri de pânico com coisas pequenas como multidões, e ver os sintomas ali descritos me acertou em cheio no peito, tive medo de sentir o pacote inteiro da Marina, sendo que o que já senti era realmente pequeno comparado ao caso dela. Foi assim que aprendi muito mais sobre a doença e me interessei enquanto morria de medo do que poderia vir nas próximas páginas.

Posso adiantar pra vocês que o livro tem final feliz e isso compensou todo o sofrimento que vivi durante a leitura. Parabenizo o autor por conseguir escrever exatamente como a personagem escreveria, já que o livro é narrado em primeira pessoa e agradeço a oportunidade de ler algo assim tão complexo de forma tão bem explicada e real. 

Tá recomendado pra todo mundo, acho que essa é uma doença do nosso século, todos sofremos de ansiedade e, cada vez mais, é comum termos ataques de pânico. Ótimo mesmo é se informar sobre o assunto.

26/03/2015

O Mapa Mágico de Laísa Couto

Supresinha pra vocês! Hoje o post vai ter um diferencial e tanto. Convidei uma das minhas autoras favoritas a contar um pouco mais sobre o processo de criação do mapa mágico de seu livro. Pois então, deixo vocês nas mãos de Laísa Couto, com um texto super legal que surgiu diante da minha curiosidade sobre o assunto. Se você ainda não leu Lagoena, vai terminar o post desejando. Corre e compra .
Então, quando vi seu mapa pronto me surgiu um bilhão de dúvidas sobre o processo de fazê-lo, então gostaria de saber tudo, desde o começo, quem veio primeiro, a história? o mapa? Como foi o processo de desenhá-lo, foi enquanto você escrevia ou depois que o livro tava pronto? Quais as dificuldades de criar um mundo completamente novo e passar o que está na sua mente para o papel, para que outros possam ter uma ideia melhor? Tipo isso entende? Como é feito, haha porque eu imagino que não deva ser nem um pouco fácil.
Há um pouco mais de um mês, Ágata Bresil, leitora de Lagoena e sempre apoiadora desse projeto desde os primórdios quando era uma série na internet, me propôs que eu falasse sobre o processo de criação do Mapa Mágico de Lagoena. Aceitei o convite e finalmente cá estou.

Quando comecei a pensar na história, em 2005, a ideia do mapa ainda estava meio distante. Nem me lembro de quando me “toquei” pra isso. Acho que em 2006 o mapa surgiu e amadureceu nos anos seguintes, ainda mais quando tive consciência da função dele para a história. Não era uma simples alegoria para enfeitar o livro, ele está presente do começo ao fim. E é o causador dos grandes conflitos.


A lembrança de histórias e filmes sobre tesouros escondidos por piratas e mapas que revelavam seu esconderijo foi o ponta pé inicial para criar o que hoje é o Mapa Mágico. Pensei em como uma simples folha de papel poderia conter tantos segredos que um dia poderiam ou não ser revelados. Outra referência que gosto de citar é o filme Jumanji (1995) com Robin Willians, sempre assistia quando passava na Sessão da Tarde. Jumanji é um jogo de tabuleiro, e seus jogadores, assim que avançam as etapas, passam por experiências desafiadoras e reais, eles vivem o jogo. Então, imaginei que o mapa de Lagoena poderia fazer essa “brincadeira”, interagindo com a realidade das personagens com enigmas e provas a cumprir, como um jogo. Falando em enigmas, estes foram criados com base no livro Alice no País das Maravilhas, sempre achei a história misteriosa e cheia de charadas, Lewis Carroll sabe brincar muito bem com isso. (Não pense que irá encontrar o Coelho eternamente atrasado ou o Chapeleiro Maluco em Lagoena).


Eu poderia ter desenhado o mapa em paralelo com a criação da história, mas nunca o fiz. Cheguei ao máximo rascunhar algumas tentativas nunca terminadas para eu não me perder durante o trajeto das personagens. Nunca tive a intenção de fazer um mapa para publicar junto com o livro. Mais tarde, acho que em 2011, desenhei um mapa para meu acervo pessoal, é quase a versão que temos no livro publicado pela Draco. Em 2013 ou início de 2014, Erick Santos, o editor, tinha gostado tanto do desenho que pediu para anexar ao livro, eu resolvi fazer outra versão mais cuidadosa. Encontrei um mapa da terra de Oz feita para o filme O Poderoso Oz (ainda não descobrir o autor da ilustração) e fiquei encantada com os elementos em 3D. Fiz a segunda versão do Mapa Mágico de Lagoena no mesmo estilo, mas é claro que os mapas de Tolkien e d’As Crônicas de Nárnia também me inspiraram. Em janeiro tive a oportunidade de mostrar aos leitores o Mapa Mágico vetorizado, o trabalho de arte final foi de Nikos Lima.


Na época que a Ágata me pediu esse post eu tinha acabado de fazer uma oficina de stop motion no Maranhão na Tela, ministrada por Alexandre Juruena, ele já fez vários trabalhos com essa técnica, inclusive um vídeo clipe do Rappa da música Súplica Cearence, hoje ele trabalha na área de educação, dando aulas. Durante uma semana de intenso aprendizado, uma ideia foi amadurecendo na minha mente: “E se eu fizesse o booktrailer de Lagoena usando a técnica do stop motion?”. Bem, não era uma tarefa impossível, mas eu tinha consciência que seria trabalhosa. E ainda tinha o “porém” de eu não saber usar nenhum programa de edição avançando. Me virei com o Movie Maker.

Aproveitei o feriado de carnaval para fazer a parte mais complexa: o mapa. Imagina ter de fotografar traço por traço para obter o efeito que eu desejava (vocês vão ver no vídeo)? Para deixar a coisa ainda mais cansativa eu só tinha um tripé de mesa para a câmera, eu estava morta em três dias. Para desenhar o mapa eu tingi algumas folhas de papel “sulfite” tamanho A2 com café para dar um pouco do efeito envelhecido. Terminado essa etapa, comecei a pensar na introdução do vídeo, percebi que eu poderia retratar uma cena do livro usando a técnica pixelation, que é a animação com pessoas, usando a mesma premissa da fotografia, nessa parte contei com a ajuda da minha irmã como cobaia, ela fez as mãos com a luva de Rheita abrindo a caixa. O final do vídeo foi muito simples e rápido. Somando todas as imagens, fiz um pouco mais de 1.200 para um vídeo de 1 minuto e 25 segundos. Ah, e eu só comecei a fazer as fotos depois de ter uma trilha sonora compatível com o tema.

Como a Ágata havia me proposto esse post, nada seria melhor do que unir o útil ao agradável e mostrar para vocês em primeira mão o booktrailer de Lagoena – O Portal dos Desejos. Ela curtiu muito a ideia e espero que vocês também!

Obrigada pela oportunidade, Ágata!



A Laísa tem razão, eu realmente amei o booktrailer e fico cansada só de pensar no trabalhão que deve ter dado. Eu espero, de coração, que vocês tenham gostado do post e espero, mais ainda, que isso tenha despertado em vocês a curiosidade para ler o livro. Eu REALMENTE amo Lagoena, não é da boca pra fora, do contrário, eu não me dedicaria tanto a propagar sobre essa história maravilhosa. Muito obrigada Laísa, por nos doar informações e curiosidades sobre o processo de criação. Volte sempre ♥

07/03/2015

Resenha: A Idade dos Milagres

A Idade dos Milagres, de Karen Thompson Walker
Páginas: 216 | Editora: Paralela
E se os dias fossem mais longos? A proposta desse livro é, para mim, inédita, primeiro porque traz um foco diferente, algo que a autora chamou de “desaceleração”, que nada mais é que as nossas 24h diárias sendo esticadas para 28h, 30h, 32h... e assim por diante. A rotação da Terra está ficando mais lenta, prolongando os dias e mudando todo o ambiente terrestre, desde os pássaros caindo mortos do céu, até a mudança da gravidade, a síndrome que começa a se espalhar nas pessoas e a impossibilidade de cultivar alimentos.

O pânico logo se espalha e os moradores desse planeta decadente, começam a acumular mantimentos para sua sobrevivência, mas sobre ordens do governo, continuam a viver na hora do relógio, sendo assim, tem dias que amanhecem na escuridão e noites brancas, onde fica difícil dormir com o sol entrando pelas frestas da janela. Mas a maioria continua lutando por sua antiga rotina, enquanto outros são a favor do “tempo real” e acordam com o nascer do sol e ficam acordados durante toda parte clara do dia, que conforme a Terra vai diminuindo a velocidade, passa a ter 24h de claridade e 24h de escuridão, quando os adeptos do “tempo real” dormem.
“Mas acho que aquilo que preocupa mais nunca é o que acontece, no final das contas. As catástrofes reais são sempre diferentes – inimagináveis, desconhecidas, impossíveis de prever.” – pag. 28
Julia está na pré-adolescência, descobrindo o primeiro amor, sofrendo com a mudança nas amizades e com os problemas familiares. O que me surpreendeu foi, que, a autora, Karen Thompson Walker, de maneira delicada, mesclou imperceptivelmente os dois pontos importantes da história, sendo o primeiro a desaceleração da Terra e o segundo, a vida de uma garota cheia de conflitos. Com uma narração em primeira pessoa de uma Julia mais velha contando seu passado, de como foi a mudança do seu planeta e a de sua vida.

O único ponto da narrativa que não me agradou foi a constante insinuação de que algo iria acontecer no futuro, a autora sempre inseria frases que nos diziam que no futuro aconteceria algo que ela ainda não tinha contado, como por exemplo “Minha mãe estava cansada, mas como eu descobriria em breve, não era por causa do trabalho” ou “Caiu uma flor, mas tinha algo de assustador por trás, que só descobri um tempo depois” (nenhuma dessas frases são do livro, as inventei como exemplo). Essa promessa da revelação de algo, na minha opinião, foi uma maneira que a autora achou de inserir um mistério que ela não conseguiu de outra maneira e ficou frustrante para o leitor, não me incitava a ler para descobrir o que era, mas quebrava o clima do momento construído na cena, sendo que essas revelações poderiam ter sido apresentadas na situação correta, que dariam mais impacto do que com essas promessas que fazem o leitor criar uma expectativa que muitas vezes pode não ser preenchida.

O resto do livro é extremamente interessante e me prendeu tanto que quando eu voltava para minha vida real, tinha dificuldade de perceber que a Terra não tinha desacelerado e eu ainda tinha 24h diárias e nenhum minuto a mais que isso. Por isso, recomendo esse livro pra qualquer um que esteja aberto a uma reflexão sobre o nosso mundo e os perigos que podem nos esperar em um futuro não tão distante assim.

PS: Só pra vocês saberem que, em 2015, temos um segundo a mais. Será o início da desaceleração? Confira a matéria do G1.

23/01/2015

Lemony Snicket: Autobiografia Não Autorizada

A Pândega do Pônei, de Lemony Snicket
Páginas: 226 | Editora: Companhia das Letras
Compre: Livraria Cultura
Ainda não entendi se é esse mesmo o nome do livro ou se é A Pândega do Pônei! como diz na capa, mas enfim... estamos falando de Lemony Snicket e dar nó em nossa cabeça é dom natural pra ele. Qualquer que seja o nome desse livro, o que você tem que saber dele é que não é uma estória e sim uma reunião de documentos relacionados a estória dos Baudelaire e do próprio Snicket, o livro prometia responder a todas as perguntas que ficaram no ar em O Fim, mas... mais uma vez nada foi respondido. 

Não aconselho ninguém a comprar a Autobiografia Não Autorizada, porque ele é apenas divertido por ter vários recortes, fotos aleatórias, cartas e códigos, mas nada que acrescente alguma coisa que já não saibamos das Desventuras e nada que chame muita atenção. Há menções a Edgar Allan Poe e os Irmãos Grimm. O atrativo da obra é mesmo todo o design, as cartas amassadas com palavras riscadas ou apagadas, as fotos tortas presas com adesivo ou clipe, os recortes de jornais ou livros que parecem mesmo terem sido arrancados às pressas... mas volto a repetir, eu não indicaria este livro nem para o maior fã das Desventuras.

Talvez uma criança se divertisse com A Pândega do Pônei! mas até acho que o livro é um pouco complexo para uma criança e muito tolo para um adolescente... admiro a criatividade de Lemony, só que... realmente, não tenho mais nada a dizer sobre mais essa decepção :(

17/01/2015

#13 O Fim

O Fim, de Lemony Snicket
Páginas: 312 | Editora: Companhia das Letras
Compre: Livraria Cultura 
Depois de uma morte acidental e a destruição do Hotel Desenlace, os Baudelaire pulam em um barco com seu inimigo mortal, o Conde Olaf, contrariando todo o padrão de fugir do perigo, dessa vez eles navegam lado a lado com ele. As crianças tem de lidar com as surpresas marítimas e após serem capturados por uma tempestade monstruosa, os 4 tripulantes dão nas praias de uma ilha desconhecida e conhecem uma garota simpática chamada Sexta-Feira. A garota acolhe os três irmãos, mas deixa Olaf na plataforma costeira por ele ser uma pessoa maligna e por ser proibida qualquer perfídia dentro da ilha. Klaus, Sunny e Violet conhecem Ishmael, o facilitador do lugar e descobrem que apesar de se sentirem seguros, eles se incomodam muito com as regras de sua nova morada. Primeiro eles só podem usar uma túnica branca e longa, não podem comer nada com tempero e tem sempre de tomar cordial de coco, uma bebida um tanto suspeita. Qualquer objeto que acabe nas praias é proibido de ser utilizado por ameaçar a estabilidade do ‘governo’ da ilha.
“Quando você pensa em alguma coisa, isso acrescenta um pouquinho de peso ao seu caminhar...” – pag. 146
Por ser o último livro, acho chato dizer muitas coisas sobre ele, pois posso acabar soltando algum spoiler, por isso direi apenas as minhas considerações finais sobre O Fim das Desventuras em Série. Primeiro tenho de deixar claro que esse foi, pra mim, o pior livro da série, eu não apreciei em nada a leitura, o enredo foi terrível e a estória parecia ter sido escrita de qualquer jeito pra acabar com tudo o mais rápido possível. Os segredos foram revelados, mas nem pareciam que tinham de ser revelados pois não havia nada, absolutamente nada de extraordinário. Ou seja, O Fim foi a maior decepção para mim. Ainda mais depois de terem ficado milhares de pontas soltas.

Snicket abusou das mensagens subliminares, muitos acontecimentos nos remetem a histórias da bíblia e é tão óbvio que não passa despercebido, mas não é algo que remeta a uma inteligência minimalista do autor, de verdade, me pareceu que ele estava sem criatividade e estava desesperado para deixar mensagens atrevidas para os leitores assíduos das desventuras. Outro ponto extremamente negativo é o tanto que Lemony encheu linguiça, páginas inteiras relembrando toda a desventura, não só uma vez, mas duas ...três vezes. Era cansativo e minha vontade era pular as páginas pra ver logo o que aconteceria, mesmo que nada que ele escrevesse me deixasse curiosa.

Enfim... é muito triste terminar as desventuras desse jeito decepcionante, mas agora vou ler Lemony Snicket: Autobiografia Não Autorizada e ver se pelo menos aparece alguma luz sobre as pontas soltas.

12/01/2015

A Mansão Hollow

A Mansão Hollow, de Agatha Christie
Páginas: 224 | Editora: L&PM
Compre: Livraria Cultura 
Comecei a ler A Mansão Hollow com um pé atrás, pois o ultimo livro que li da minha xará foi Os Elefantes Não Esquecem, que não me agradou muito. Cheguei a travar na metade de Hollow e não conseguia prosseguir na leitura de modo algum, o livro ficou parado por alguns dias até que me peguei pensando sobre quem seria o culpado do crime e percebi que a curiosidade tinha tomado conta de mim. Ainda bem, porque fiquei de boca aberta com o desfecho de tudo e é isso o que espero de um livro sobre crimes, é isso que espero de um livro de Agatha Christie
“Sim, era divertido saber mais do que as pessoas pensavam que nós sabíamos. Sermos capazes de fazer uma coisa, mas não deixarmos que ninguém percebesse isso.” – pag. 41 
A Mansão Hollow é a mansão do campo da família Angkatell. Em alguns finais de semana a anfitriã convida os mais queridos para descansarem por lá e terem boas lembranças. Para entender melhor este livro, temos de entender cada personagem individualmente. 

Lucy Angkatell é anfitriã da Mansão Hollow, uma senhora extremamente enfática, colorida, com uma mente que vive em um turbilhão 24h por dia. Ela está sempre esquecendo porque fez tal coisa ou porque está com algo na mão, ou está sempre entrando no quarto dos hóspedes de madrugada, com um assunto já começado por ela mesma, deixando o convidado desnorteado.

Sir Henry é o marido de Lucy, sempre compreensivo com as loucuras da mulher e um colecionador de armas. 

John Christow é o assassinado. O motivo do livro, quem o matou e por quê? Um médico exemplar que se casou com uma mulher apenas pelo conforto. Ele tem tanto um amor antigo, quanto uma amante. 

Gerda Christow é a esposa de John e uma mulher que todos consideram boba e lenta, pois demora a entender qualquer coisa. Vive sua vida em função do marido, sempre temendo errar e aborrecê-lo. 

Henrietta é a amante de John, uma escultora que transpõe o que vê na argila. É uma mulher que se preocupa muito com os outros, coloca o bem estar do próximo muito acima do seu próprio. 

Midge é a prima de Henrietta, cuja paixão por Edward é escondida por anos, mas sem esperanças, ela continua a viver sua vida, trabalhando duro, sem aceitar qualquer dinheiro da família. 

Edward ama Henrietta e já a pediu em casamento 3 vezes, todas as vezes com recusas, pois o único homem para quem Henrietta tem olhos é John. 

Esses são os personagens mais necessários para o entendimento da estória, mas um dos personagens mais importantes é com certeza Hercule Poirot, o famoso detetive criado por Agatha Christe que tem presença em mais um mistério. Dessa vez Hercule é realmente desafiado para encontrar o que é real e o que é encenação, o que é vivo e o que é morto. E eu adorei essa grande metáfora da estória, você só compreende se ler o livro, mas o modo como foi aplicada, é de uma inteligência e um toque muito especial. Admirei Agatha por seu incrível tato com o leitor, conduzindo-o pelo caminho mais fácil de resolver o crime e não o caminho verdadeiro. No final, você se vê dizendo: “Mas é claro que era isso!”, mas durante o livro, se essa possibilidade lhe passa pela cabeça, logo se afasta, pois não parece muito provável que um livro desses terminasse de tal maneira. 
“Não tinha muita pena da fraqueza, mas sim do sofrimento, pois sabia que apenas os fortes conseguem sofrer.” – pag. 79 
A narrativa é em 3º pessoa, mas sempre intercalando o foco em um personagem, aprofundando na vida dele, no jeito como se sente em relação ao acontecimento e à vida. Nos é entregue, pela autora, um dossiê completo para resolvermos o crime nós mesmos. Uma dica para quem vai ler... o desfecho não depende de acontecimentos e sim dos personagens, se eu tivesse dado valor a essência de cada um, talvez eu tivesse realmente desvendado o mistério, mas apesar de ter cogitado a possibilidade, a neguei por achar tolice de minha parte. Enfim, tenho de dizer que, se você quer conhecer a obra de Agatha Christie, A Mansão Hollow é uma bela pedida.

25/12/2014

Relendo Lagoena

Lagoena: O Portal dos Desejos, de Laísa Couto
Páginas: 272 | Editora: Draco
Compre: Livraria Cultura | Livraria da Folha | Travessa
Quem acompanha meu blog sabe como me apaguei a Lagoena, esse lugar maravilhoso criado por Laísa Couto. Depois de ter lido o livro em formato digital no Bookseries, torcia para que Laísa recebesse seu reconhecimento e tivesse o livro publicado.

Qual foi minha felicidade quando ela me disse que esse sonho se tornaria realidade? Fiquei ansiosa para a chegada do livro e quando o vi em carne e osso, com dedicatória da Laísa e cheirinho de livro novo, quase me descabelei... terminei o livro que estava lendo às pressas e comecei a releitura dessa fantasia incrível.

Para quem não conhece, Lagoena conta a história de Rheita, que nasceu com uma cicatriz em forma de S em uma das mãos e teve de escondê-la com uma luva e se trancafiar na casa de seu avô joalheiro desde que nasceu. Pouco acostumada com o mundo lá fora, a menina admira a Rua dos Artesãos pela janela. Seu pai sumiu e sua mãe faleceu, seu avô, meio carrancudo, é sua única família, além de Dona Adeliz, que sempre vai visita-la levando os mais deliciosos doces.

Quando descobre a metade de um mapa misterioso no quarto de sua mãe, Rheita inicia uma aventura mágica, ao lado de seu novo amigo Khiel, o filho gago do sapateiro. As duas crianças vão parar em um mundo diferente do que vivem e este mundo se chama Lagoena, um lugar carregado de criaturas fantásticas e sentimentos puros enterrados. A garota descobre que foi destinada a este lugar, pois é uma Guardiã e sua missão é reunir 7 chaves que abrem o Portal dos Desejos, onde poderá pedir o que quiser e dar um pouco de paz a este novo lar.

A escrita de Laísa Couto é uma das melhores que já apreciei, tenho um orgulho imenso de seu talento e torço muito por seu sucesso. Ela utiliza de criaturas místicas adoráveis, muitas delas já conhecidas pelos leitores, como o Curupira. esse é um dos aspectos mais surpreendentes do livro, o dom que ela tem de inserir esses personagens como dela própria.

Recomendo a aventura para todas as idades, porque, de verdade, vale a pena ler e reler muitas vezes. Sinto um amor imenso por Rheita e Kiel e uma vontade avassaladora de mergulhar em Lagoena e ter a oportunidade de conhecer cada pedaço estampado no mapa. Em falar em mapa, o mapa que Rheita segue para cumprir sua grande tarefa, está nas primeiras páginas, criado pela própria autora. Eu ouvi dizer que livros com mapas são os melhores... enfim, mais um motivo pra acreditarem em mim quanto a necessidade de comprar este livro.

20/12/2014

#12 O Penúltimo Perigo


O Penúltimo Perigo, de Lemony Snicket
Páginas: 320 | Editora: Companhia das Letras
Compre: Saraiva | Livraria Cultura | Submarino
Confesso que até agora, este livro contém a aventura mais mirabolante dos órfãos Baudelaire, algumas vezes cheguei a ter um nó por não conseguir entender onde que todas aquelas informações iriam me levar, mas como este é o penúltimo livro, entendi que toda a confusão era necessária para o desfecho dessa série.

Logo depois de os órfãos entrarem em um táxi desconhecido, eles descobrem a verdadeira identidade da taxista misteriosa, ela é Kit Snicket (sim, irmã de Lemony). Ela os leva até o Hotel Desenlace, um Hotel que foi arquitetado para ser uma ilusão, ele é refletido perfeitamente em uma lagoa e por esse motivo, todos os números e palavras escritos nele, são escritos ao contrário, para que quando vistos na lagoa, pareçam do jeito certo. Assim mesmo como a gente brincava quando era criança, com aquelas mensagens escritas de trás pra frente, as letras invertidas, que colocávamos na frente do espelho para lermos direito. As três crianças se disfarçam de concierges para adquirirem informações sobre os hospedados no hotel, já que agora os Baudelaire também são voluntários da C.S.C.

O que posso dizer sobre o enredo e que não comprometa a leitura de vocês é que o misterioso açucareiro volta a ser peça importante da estória, mas perde o destaque. O Conde Olaf está presente, é claro, junto com sua trupe, mas dessa vez tem um papel diferente para os Baudelaire e Lemony Snicket fez questão de acrescentar um lado mais humano do vilão. Novos segredos são introduzidos para deixar o leitor curioso, mas ainda sem muitas informações para que possamos desvendar nós mesmos toda a teia de mistérios que nos envolvemos ao nos comprometermos com essas desventuras. E mais uma vez as crianças se veem em um dilema sobre se são nobres ou pérfidas, ou se são ambas as coisas, pois muitas vezes elas se encontram em situações que só atitudes vilanescas podem ajuda-las a escapar.
“A decisão de confiar ou não em uma pessoa é como decidir se você vai subir numa árvore ou não, porque você poderá talvez ter uma vista maravilhosa do último galho, ou então acabará simplesmente todo coberto de seiva (...)” – pag. 21
Lemony Snicket tem uma atitude interessante para um livro de crianças, ele não poupa tragédias, ele não tem medo de matar os personagens que nos conquistam o coração e ele não tem receios em botar fogo em tudo e fazer da morte algo natural. Acho muito corajoso da parte dele, criar uma narração pesada e que ao mesmo tempo seja divertida e digna de um livro de crianças (?). Outra coisa que gosto muito nessas desventuras são as páginas criativas, neste livro há frases que são escritas de modo invertido para que consigamos ler apenas indo ao espelho e em um outro livro em que o autor comentava sobre dejá-vu ele escreveu dois parágrafos iguais para que nós tivéssemos a mesma sensação do dejá-vu e neste “O Penúltimo Perigo” há uma arte de duas páginas em que um pedaço de um parágrafo é refletido embaixo, como em uma lagoa. Todos esses detalhes fazem dessa série algo incrível, existem várias artimanhas como esta em todos os treze livros, então nunca sabemos o que esperar dos próximos capítulos.

Estou um pouco triste em saber que estou prestes a terminar as Desventuras em Série, já estou me sentindo órfã de Klaus, Sunny e Violet, só espero que eles não me deixem por um incêndio, já que este é o assunto principal de todas as desventuras que desencadeiam na vida dessas crianças. Enfim... que venha o 13º livro.

10/11/2014

#11 Desventuras em Série: A Gruta Gorgônea

A Gruta Gorgônea, de Lemony Snicket
Páginas: 288 | Editora: Companhia das Letras
Compre: Saraiva | Livraria Cultura | Submarino
Vocês não acreditariam na velocidade em que devorei este livro. Faltam apenas mais dois para terminar as Desventuras em Série e já sinto uma pontinha de saudade florescendo no meu coração literário. A Gruta Gorgônea conta sobre a passagem dos irmãos Baudelaire pelo submarino Queequeg. Quando descendo desenfreadamente pelo Arroio Enamorado, com um tobogã improvisado por Violet, os três irmãos se deparam com um submarino e nele entram para não serem mortos pelos imprevistos do trajeto das águas. Lá conhecem Andarré, o capitão do submarino que fala muito apressadamente enquanto tenta dar ordens sem pé nem cabeça. O resto da tripulação é composta por Phil, que assumiu papel de cozinheiro, mas que as crianças já conheciam da Serraria Alto-Astral , e pela enteada de Andarré, Fiona, uma garota um pouco mais velha que Violet e que é uma micetologista (estuda fungos).
“... Mulheres mortas não contam histórias. Homens tristes as escrevem.” – pag. 5
Junto com seus novos três companheiros, os órfãos Baudelaire partirão em uma missão para encontrar o tal do açucareiro desaparecido e que tem sido disputado por tantas pessoas. Mesmo sem saber o que, de tão importante, se encontra dentro do açucareiro, eles se arriscam, saindo do Queequeg e adentrando uma escuridão profunda na Gruta Gorgônea, com suas roupas submarinas e seus dons preparados, os heróis descobrirão que muitas pessoas são voláteis e podem tanto estar do lado bom quanto do lado ruim e assim verão sua sorte ser mudada e remudada diversas vezes nesta aventura. É claro que o Conde Olaf continua aparecendo quando menos se espera, mas agora não se disfarça mais e já tem seu próprio submarino, o Carmelita, que funciona à base da escravidão de crianças inocentes.
“‘Aquele ou aquela que vacila está perdido.’ ... Positivo!” – página... bem... muitas páginas.
Além do inimigo que bate carteira em todos os livros, os Baudelaire encontram outro submarino muito maior e muito mais aterrorizante que consegue fazer até Olaf tremer nas bases, esse enorme pedaço de metal que aparece em momentos cruciais do livro é mais um mistério para encher nossa cabeça, mas tudo bem, agora já estou perto do desfecho dessa enorme desventura e aguardo ansiosamente para que todas as linhas soltas se amarrem com notável coerência, como eu sei que Lemony Snicket é capaz com sua criatividade. Aliás, a criatividade do autor é algo que me assusta, ele compara algo inexplicável a alguma situação que para ele, como espião, parece normal, mas para que nós é absurda e mesmo assim tudo faz sentido e tudo fica explicadinho.
“Muitas vezes é difícil admitir que alguém que você ama não é perfeito, ou considerar os aspectos menos admiráveis de uma pessoa.” – pag. 133
Algo que aparece desde o livro anterior e agora toma ainda mais forma em volta dos corações dos Baudelaire, é o amor pelo sexo oposto. Violet se apaixona por Quigley e Klaus, bom... Klaus se apaixona por alguém que ele encontra neste décimo primeiro livro e eu acredito que apesar de todas as dificuldades que essas crianças enfrentam, no final elas encontrarão um “felizes para sempre” com três pontinhos...

05/05/2013

As Vantagens de Ser Invisível

As Vantagens de Ser Invisível, de Stephen Chbosky
Páginas: 223 | Editora: Rocco
Esse mês eu e as meninas da irmandade das seis começamos tentando ler Lolita, mas após alguns capítulos percebemos que a leitura não ia pra frente e então passamos para a próxima opção... e mais uma vez me deparo com um livro que penso não ser capaz de resenhar, eu mais o senti do que li. Ele me trouxe uma sensação, um momento, como quando sentimos um cheiro e o caracterizamos como cheiro de infância sabe? Eu sei que vão ter coisas e momentos que vou ver, olhar, sentir e pensar neste livro. Até fazer uma sinopse é complicado porque querer descrever cada personagem é trapacear, já que vamos os conhecendo ao longo do livro, conforme o autor nos adiciona fatos de grande importância, então o que posso fazer é dizer que Charlie é um garoto diferente, ele não tem amigos pois perdeu seu melhor amigo ano passado para a morte, então ele apenas vive com seu jeito quieto e introspectivo. Charlie tem dois irmãos mais velhos, um já está na faculdade e a irmã é veterana na escola. Aos poucos somos apresentados às peculiaridades de Charlie, aos seus problemas mais secretos, como a morte de sua Tia Helen, algo que determinou um momento de antes e depois em sua vida, um acontecimento muito mais do que marcante e dolorido. 
"Para dizer a verdade, eu amo a Sam. Não é como nos filmes de amor. Eu só olho para ela às vezes e acho que ela é a pessoa mais bonita e mais legal em todo o mundo. Ela também é muito inteligente e divertida." - pag. 57
O livro é escrito em forma de cartas, são cartas que Charlie escreve para alguém que não sabemos quem, mas quem leu, por favor, me diga se você acha que ele escreve, especialmente, para cada um de nós, leitores? Porque foi essa a impressão que tive. Nas cartas Charlie apresenta seu professor Bill que o recomenda livros maravilhosos para que ele faça trabalhos. Ele apresenta sua família, seu cotidiano e sua personalidade de olhos inocentes. Além disso, ele conta como conhece Patrick e Sam, conta como Patrick é extrovertido e agitado e como Sam é linda e apaixonante, claro que logo ele passa a amá-la, mas o amor de Charlie é diferente, é como ele, puro, porque ele não quer desrespeitar ninguém nem em pensamento e tudo o que lhe importa para as pessoas que ele ama é que elas sejam felizes independentemente de com ele ao lado ou não. E eu achei muito legal o fato de que TUDO era foco do enredo e não só o romance e não só o mistério por trás de Charlie. 
"Subi a colina onde costumava usar o trenó. Havia muitas crianças ali. Eu fiquei vendo elas voarem. Dar saltos e apostar corridas. E pensei que todas aquelas crianças um dia iam crescer. E todas aquelas crianças iam fazer as coisas que nós fazemos. E todos eles beijarão alguém algum dia. Mas agora andar de trenó era o bastante. Acho que seria ótimo se bastasse um trenó, mas não é assim." - pag. 83
As Vantagens de Ser Invisível é o florescer da adolescência, é a descoberta do sexo, drogas e rock’n roll (haha). É a descoberta da realidade, é perceber que existem problemas e problemas e existem dramas, amores não correspondidos, segredos mortais e traumas de infância. Pra ser verdadeira com você, é um livro perturbador, que me tirou o chão quando li a ultima carta. Aliás, não só na última carta, pois Stephen Chbosky tem esse jeito incrível de te jogar uma bomba quando você está sorrindo de braços abertos, despreparado. Ele pode te falar que eles estão tomando sorvete, felizes, e que de repente o sol explodiu, simples assim, como se ele te dissesse que amanhã vai chover e não vão poder fazer uma festa na piscina. 

Charlie é um personagem construído fielmente da ponta do cabelo à unha do pé, o modo de escrita nas cartas diz muito sobre ele tanto quanto como descreve o que ele está passando no momento, se ele está ‘ruim’ você sabe pela confusão na escrita, se ele está triste, você percebe pela falta de vontade de escrever e a pressa de se despedir, enfim... pra mim esse livro é perfeito, só não o releio nesse exato momento porque tenho livros que tenho de ler logo, mas não vejo a hora de reler porque sei que verei tudo por uma perspectiva diferente já que na ultima carta Stephen nos mostra a verdade sobre Charlie, ele explica o porque de sua personalidade, seu trauma, tudo, mas ele explica sem te desenhar tim tim por tim tim, tanto é que tive de perguntar às meninas da Irmandade se era realmente aquilo que eu tinha entendido e eu gostaria que elas me dissessem que não porque essa ultima carta partiu meu coração e eu estou aqui com ele todo apertadinho de tristeza e raiva. 

"Não há nada como a respiração profunda depois de dar uma gargalhada. Nada no mundo se compara à barriga dolorida pelas razões certas. E essa era ótima." - pag. 169

Todo bom leitor sabe que, livro bom é aquele que te provoca sensações e esse superou minhas expectativas... e olha que eu já esperava muito dele. Me senti parte desse mundo de Charlie, em diversos momentos me lembrei dos meus amigos, quando saímos e colocamos nossas músicas preferidas e cantamos alto. Quando subimos no carro e deixamos o vento bater em nossos rostos e deixamos que embarace nossos cabelos, mas a gente nem liga porque em todos esses momentos, nós somos infinitos.


Para ler as resenhas das outras garotas da Irmandade, entre nos blogs delas:


O Filme 






É claro que, sendo o filme, dirigido pelo próprio Stephen, ele não poderia ser mais fiel. Acabei de assisti-lo e já estou clicando no play novamente. Cenas foram cortadas para que o filme fosse cabível no mundo cinematográfico, mas tudo bem, depois é só assistir os extras no dvd. E tenho que dizer... cada vez que um personagem era apresentado, cada vez que uma cena pela qual eu estava ansiosa aparecia, me formava um nó na garganta, senti vontade de chorar no filme inteiro. A atuação de Logan me surpreendeu, é claro que ele trouxe alguns cacoetes lá de quando ele interpretou Percy Jackson, mas eu fiquei surpresa por ele mostrar a personalidade do Charlie exatamente como eu havia imaginado, o jeito tímido, o jeito de quando está noiado, o olhar apaixonado, o modo introspectivo e toda a sua forma problemática, surtada e sentimental. Emma está impecável e o Ezra... bem, não tem muito o que dizer sobre ele né? o Cara é foda pra car****! To vivendo o The Perks of Being Wallflower, não quero me soltar dessa obra.

09/04/2013

#10 O Escorregador de Gelo

O Escorregador de Gelo, de Lemony Snicket
Páginas: 280 | Editora: Companhia das Letras
Compre: Saraiva | Livraria Cultura | Submarino
O 10º livro das Desventuras em Série é o mais aventureiro até agora. Depois de serem descobertos pelo Conde Olaf, Klaus e Violet foram jogados dentro de um trailer montanha abaixo, se separando de sua irmã mais nova Sunny e lutando para sobreviver à queda. Os irmãos conseguem sair vivos dessa e agora tem que seguir uma difícil jornada para subir as Montanhas da Mão Morta e reencontrar a irmã caçula, mas este não é o maior de seus problemas. Os Baudelaire terão de enfrentar o frio extremo e os mosquitos da neve que picam sem nenhum motivo aparente, enquanto desvendam os mistérios que rondam C.S.C. e seus pais, que eles tem a esperança de que estejam vivos, mas o que eles não contavam era encontrar alguém que pensavam estar morto e que os ajudará nessa aventura.

Fiquei com vontade de fazer uma receita de uma salada citada no meio do livro: 
“... manga fatiada, feijão preto e aipo picadinho, com um toque de pimenta-do-reino, suco de limão-galego e azeite e azeite de oliva” “PS: Substituir o aipo por palmito picadinho também dá certo” – pág. 88 
Os questionamentos que os três irmãos andavam fazendo sobre estarem se tornando tão vilões quanto o Conde Olaf e sua trupe será finalmente resolvido quando elas tomarem a decisão de como vão proceder em todas as atitudes que tiverem de tomar para a sua própria sobrevivência. Eles também desvendarão vários mistérios, mas infelizmente esses mistérios só trarão mais questões sem resposta sobre seu passado, presente e futuro. Outra coisa muito boa desse livro é o aparente crescimento de Sunny, não só de tamanho, a mais nova dos Baudelaire começa a nutrir um interesse por culinária e consegue até falar mais palavras do que antes, além de desenvolver sua arte de espionagem e mostrar-se forte enquanto sobrevive junto com os vilões, longe de seus irmãos que sempre a protegeram.

Em “O Escorregador de Gelo” novos personagens nos são apresentados, todos eles com passados ocultos que despertam muita curiosidade no leitor por serem tão imponentes. Além do que, mais uma vez vemos o alter-ego de Daniel Handler (Lemony Snicket - que assina as obras sobre os Baudelaire) se envolver ainda mais na estória, mostrando como ele é mais um personagem de importância para desvendar esse quebra-cabeça enorme, ele até deixa uma mensagem oculta no meio do livro, mais como uma carta para uma pessoa da família dele. Por mais que eu leia e releia vários trechos dos livros, acho que o autor não deixou nenhuma pista para que possamos desvendar o mistério por nós mesmos e por isso não vejo a hora de ler os últimos três livros da série que já me aguardam ansiosamente na estante. Estou muito feliz que graças as minhas resenhas uma semana sim e uma semana não das Desventuras em Série, alguns leitores tenham se interessado pela obra e já estão comprando os livros ou adicionando-os a wishlist.

01/04/2013

Resenha: Ponte para Terabítia

Ponte para Terabítia, de Katherine Paterson
Páginas: 160 | Editora: Salamandra
Compre: Submarino | Saraiva | Livraria Cultura
Eu não sei como escrever sobre esse livro... eu não sei. Desculpem-me, mas eu não vou conseguir fazer jus a ele, nenhum elogio será suficiente para passar a beleza dessa estória. Se você conhece, sabe do que estou falando. Eu tenho medo até de falar demais e estragar a experiência de vocês e eu realmente não quero fazer isso. Se você ainda não conhece a Ponte para Terabítia, por favor, opte por ler o livro antes de ver o filme, pois a surpresa dessa leitura é incomparável. Eu mal consigo pensar em como começar a resumir um pouco dessa estória pra vocês sem que eu estrague o final de tudo, mas eu estou disposta a tentar. A resenha pode sair meio torta, meio sem jeito, meio atrapalhada, mas eu prometo pra você que se você pegar essas 160 páginas pra ler, você não vai se arrepender... pode até pensar que sim no começo, no meio... mas no final você terá a certeza que teve sorte de ter lido esse livro. 

Jess Aarons tem 10 anos e está indo para a 5º série. Ele tem acordado cedo todos os dias nas férias para treinar, pois ele quer ser o garoto mais rápido da sua escola, ele quer ser o campeão da corrida da hora do recreio e ver a cara de Gary Fulcher quando ele conseguir isso. Jess mora em uma casa humilde no campo e é o único filho homem, suas 4 irmãs estão sempre enchendo o saco dele e fugindo dos compromissos da casa, é ele quem sempre tem de tirar o leite da vaca Miss Bessie. Uma de suas irmãs, a mais nova, May Belle, está sempre atrás dele e apesar de ele não aturá-la, Jess a ama e cuida dela. Sempre com o foco de ser o campeão da corrida da Escola Primária do Córrego da Cotovia, Jess Aarons se depara com sua nova vizinha, uma garota de sua idade, chamada Leslie Burke que ao contrário das outras meninas usa calça e shorts. Na volta às aulas Leslie fica atrás dele e até decide competir com os outros meninos na corrida e acaba ganhando. Jess fica furioso por não ter ganhado de uma menina, mas feliz por que Gary Fulcher também perdeu. 

Mesmo se recusando em nutrir uma amizade por essa estranha menina, Jess e Leslie se tornam melhores amigos e encontram um lugar secreto depois do riacho e fingem que lá é o Reino de Terabítia, onde eles são rei e rainha. Desse modo eles sobrevivem aos valentões da escola, aos problemas familiares e se unem cada vez mais em um lugar mágico, só deles, onde eles são os melhores, em uma bolha de magia que a vida diária não consegue perfurar. 

O livro é dedicado ao público infantil, mas nem se percebe, a escrita é simples e cativante, com um ritmo leve que te deixa preso aos personagens de uma forma encantadora. Muitas vezes me vi com água nos olhos em perceber a simplicidade da vida de Jess em relação à Leslie, enquanto ela é filha de pais escritores que tem dinheiro à vontade, mas só foram para o campo para repensarem a vida e apreciarem as coisas simples, Jess não tem dinheiro nem para comprar um bloquinho simples de papéis para desenhar, que é o seu maior hobby. Todas as vezes que ele mantinha a cabeça baixa e dizia aos maiores: “Sim, senhor” ou “Não, senhora”, eu morria de dó de imaginá-lo. A pobreza não parece o incomodar, pois é o que ele conhece desde pequeno, para ele é assim que a vida é. Isso me entristece. 

Ponte para Terabítia pode parecer aos seus olhos, agora, um simples livro de criança com começo, meio e fim previsíveis, mas não é. Não digo porque, se não estrago a magia que senti por ler sem ter esperado absolutamente nada pois nunca tinha ouvido falar muito sobre o enredo. O que digo é que a autora Katherine Paterson foi muito corajosa em escrever esse livro, em trazer tamanha nobreza em ares tão simples, eu acho que isso é magia, eu acho que Ponte para Terabítia me fez, finalmente, acreditar em magia de verdade.

25/03/2013

#9 O Espetáculo Carnívoro

O Espetáculo Carnívoro, de Lemony Snicket
Páginas: 240 | Editora: Companhia das Letras
Compre: Livraria Cultura | Submarino | Saraiva
Ai meu Deus! Vou ter que começar a resenha pelo final porque... Ai meu Deus! O que é que esse Lemony Snicket estava pensando quando resolveu ser tão cruel em um livro infantil? Posso dizer que O Espetáculo Carnívoro é tão carnívoro e cruel quanto o título. Depois de se esconderem no porta-malas de Conde Olaf e sua trupe, os três Baudelaire vão parar no Parque Caligari e novamente se deparam com a necessidade de usar um disfarce para não serem reconhecidos tanto pelas pessoas normais quanto pelo inimigo mortal. Klaus e Violet usam uma mesma roupa, se transformando em uma aberração de duas cabeças e Sunny usa uma barba falsa, interpretando assim Chabo, o bebê lobo. Com esses disfarces os órfãos conseguem um emprego na Casa dos Monstros junto com outras aberrações que são ridicularizadas pelo público pouco amigável.

Tudo isso enquanto tentam desvendar o mistério do que significa C.S.C. e se um de seus pais está ou não vivo, fato que a vidente Madame Lulu disse ao Conde Olaf ser verdade. É claro que os Baudelaire não acreditam em videntes, mas esta é diferente... é ela quem conta ao vilão onde os três estão e o ajuda em seu plano maligno de conseguir se apoderar da fortuna das pobres crianças. E mais uma vez os personagens se questionam sobre seu próprio lado maligno quando se veem diante de situações que os forçam a ter atitudes parecidas com as que Olaf tem. É claro que as crianças não são malignas e tudo o que fazem é por questão de sobrevivência, mas o questionamento é muito bem colocado pelo autor e tem ganhado um significado importante na trama, pois envolve também a razão pela qual Olaf e seus capangas fazem o que fazem.

Essa esperança que o autor insere tanto nos leitores quanto nos irmãos é cruel, estamos sempre achando que tudo vai dar certo e que dessa vez o livro terminará realmente fantástico, cheio de gente pulando de alegria e o carnaval rolando solto, mas não... Lemony adora um drama e adora me deixar de boca aberta e lágrimas nos olhos quando termino de ler um dos livros da série e isso é tão inacreditável. O jeito como ele consegue nos prender, como consegue ser cruel ao mesmo tempo que gentil com suas palavras. Ai meu Deus! Snicket é aqueles caras que conquistam, pisam e são gentis pedindo desculpas. É! Ele é do mal e espero que vocês se envolvam nessa genialidade aterrorizante dele, assim como eu.

11/03/2013

#8 Desventuras em Série: O Hospital Hostil

O Hospital Hostil, de Lemony Snicket
Páginas: 232 | Editora: Companhia das Letras
Compre: Submarino | Livraria Cultura | Saraiva
Agora que os papéis se inverteram, a estória dos Baudelaire toma um rumo diferente. Todos pensam que Olaf está morto, quando na verdade não está e todos pensam que os três irmãos são os assassinos do vilão e as crianças são procuradas pela polícia. Em O Hospital Hostil, Sunny, Violet e Klaus não vão parar na casa de nenhum tutor, agora eles são fugitivos e estão cuidando um do outro sem a ajuda de ninguém, depois de conseguirem escapar de uma cidade furiosa em A Cidade Sinistra dos Corvos, eles se deparam com uma possibilidade de se esconder e descobrir mais sobre a sigla C.S.C. quando conhecem os Combatentes pela Saúde do Cidadão e acabam indo parar no Hospital Heimlich. Lá eles encontram uma oportunidade de trabalhar na Biblioteca de Registros onde descobrem que talvez eles não saibam tudo sobre o incêndio que matou seus pais.

Quando li o 3º livro da série, eu não conseguia imaginar como seriam os outros 10, achei que Lemony continuaria sempre com o mesmo desenrolar do enredo, com as mesmas ideias até que no ultimo livro ia dar uma reviroltinha e acabou, mas não, continuo me surpreendendo porque ele conseguiu inserir vários segredos a serem desvendados, me deixando curiosa à beça. Agora a estória tem até um “Você-Sabe-Quem” pra deixar o leitor matutando sobre quem raios poderia ser este novo personagem misterioso. Colocar as crianças sem um tutor só mostrou o quão unidos eles são e como todas as desventuras que eles vencem os tornaram capazes de serem fortes para arriscar suas vidas por informações que envolvam a família Baudelaire.
Para Beatrice – O verão sem você é frio como o inverno. O inverno sem você é mais frio ainda. – pág. 5
Uma transformação interessante neste livro são os novos pensamentos que perseguem os irmãos, tendo que se disfarçar e enganar pessoas para sobreviverem ao inimigo e desvendarem os mistérios, eles se preocupam sobre estarem se tornando vilões, isso acontece quando se veem fazendo algo que Olaf fez ou faria. Além desse medo de estarem se afastando de suas essências, há o pensamento de que talvez Olaf não seja de todo um vilão, pois para tudo existe um motivo concreto. Espero que Lemony explore um pouco mais disso nos próximos volumes da série.

Depois de terminar as Desventuras em Série, eu com certeza vou querer procurar mais sobre a vida de Daniel Handler, ops... Lemony Snicket, creio que o autor deve ter sofrido algo, porque apesar de seu senso de humor com a desgraça, às vezes parece que o que ele escreve é uma mensagem extremamente profunda, como se ele quisesse dizer algo que está dentro dele, escondido, mas que o único jeito fosse através dessas Desventuras. Enfim, ainda não li o volume extra da série e nem pesquisei sobre o autor então posso estar falando bobagem, mas foi essa a impressão que tive durante a leitura.

12/02/2013

#7 - A Cidade Sinistra Dos Corvos

Hey! Antes de postar a resenha tenho que pedir desculpas pela demora, mas sabe como é né? Feriadão de Carnaval, não parei em casa, consegui um pouquinho de tempo agora pra postar, mas responder comentários só amanhã ok? E mais uma coisa, achei que o aniversário do blog era agora, mas confundi, o Tudo Tem Refrão completou 1 ano no dia 2 de fevereiro. eeeeeeeeeeeee :) É isso! haha!

A Cidade Sinistra dos Corvos, de Lemony Snicket
Páginas: 232 | Editora: Companhia das Letras
Compre: Submarino | Livraria Cultura | Saraiva
O 7º livro das Desventuras em Série conta a passagem dos órfãos Baudelaire pela cidade C.S.C. Depois de passarem por tantos tutores, eles entram para um programa em que uma cidade inteira cuida de órfãos, eles escolhem esta em especial pelo seu nome que é a mesma sigla que seus amigos trigêmeos Quagmire lhes apresentaram como uma pista do que o vilão Conde Olaf está planejando desde o início. Na C.S.C. os Baudelaire são obrigados a prestar serviços domésticos para todos os cidadãos enquanto se desviam dos milhares de corvos que povoam a cidade e vivem lá pacificamente. É claro que Sunny, Klaus e Violet não são sortudos e carregam o azar para onde quer que vão, mas desta vez eles terão um amigo na cidade, chamado Hector, um senhor que os acomoda em sua casa e lhes prepara pratos mexicanos, sendo assim, não ficam tão abandonados com seus sofrimentos.

Fiquei muito feliz pelo Lemony Snicket ter, novamente, abordado uma estrutura diferente para a estória. O modo de condução que era tão comum nos primeiros livros foi posto de lado, dando lugar a uma maneira diferente de aventura para as crianças mais desafortunadas do mundo dos órfãos heróis. Em A Cidade Sinistra Dos Corvos não houve muitos momentos engraçados, aliás, não me lembro de ter dado risada em momento algum, mas fiquei muito feliz pela demora do Conde Olaf aparecer e pelos mistérios que os irmãos tiverem que resolver para ajudarem seus amigos Quagmire. Bateu uma saudade do meu trio de Hogwarts, mas não pensem que estou comparando um trio ao outro, pois as Desventuras em Série são para um público bem mais jovem que o de Harry Potter, por isso é tudo em menor densidade.

Lembrando que a narrativa é em 3º pessoa, contada pelo Lemony Snicket como se ele de fato tivesse conhecido a família Baudelaire e se apaixonado pela mãe deles. Neste livro podemos perceber um pouco mais de envolvimento do personagem autor com os personagens da estória, pois mais um mistério será adicionado à nossa cabeça, trazendo uma vontade ainda maior para ler os próximos volumes e descobrir a trama completa e desmembrada... Eu adoro segredos, adoro mais ainda quando são desvendados e o que é um livro de aventura sem segredos para nos deixar de queixo caído? Ah! E uma surpresa, neste livro, pela primeira vez, podemos ver os Baudelaire crescendo, atingindo outra idade e evoluindo como todos os outros seres humanos fora do mundo literário, coisa que desconfiava de que não iria acontecer.

25/11/2012

#6 Desventuras em Série: O Elevador Ersatz

O Elevador Ersatz, de Lemony Snicket
Páginas: 228 | Editora: Companhia das Letras
Compre: Submarino | Livraria Cultura
Eu não me canso dessa série, a cada novo livro eu me surpreendo mais e me pego torcendo pelos Baudelaire, mesmo sabendo que no final, tudo vai dar errado, porque vocês sabem... eles são azarados e só vivem desventuras (Avá!). O Conde Olaf é muito bom em sempre escapar, do mesmo jeito que os três irmãos são bons em desmascarar o vilão antes que as coisas fiquem realmente feias. Bom, muitos padrões dessa série continuam, mesmo que eu não esteja mais me importando tanto com isso, mas difícil mesmo é vir aqui e escrever uma resenha que não se pareça muito com a resenha que fiz do livro anterior. É sempre um desafio, justamente por causa desses padrões, mas até agora, tenho encontrado coisas novas para dizer.
“... a tabela dos elementos não contém um dos elementos mais poderosos que formam o nosso mundo, e este é o elemento surpresa.” – pag. 59
Em O Elevador Erstaz as crianças vão morar com o Sr. e Sra. Squalor. Um casal que mora na cobertura de um prédio esplêndido e que vive à base do que está in, ou seja, o que está na moda. Por exemplo: os elevadores estão out, por isso as crianças têm de descer e subir muitas escadas todas as vezes que saem e todas as vezes que voltam para a cobertura. Ternos risca de giz estão in e os Baudelaire tem de aturar vestir estes ternos muito feios e grandes para eles. Se não bastasse viver em um apartamento tão grande que você acaba se perdendo lá dentro, os nossos queridinhos protagonistas tem de lidar com o Conde Olaf disfarçado de um estrangeiro que vem trabalhar em um leilão juntamente com a tutora deles. Mesmo estando infelizes por reencontrar o motivo de seus pesadelos, as crianças veem uma oportunidade de salvarem os amigos Quagmire que estão nas garras de Olaf e finalmente descobrir o que significa a sigla C.S.C.
“ ‘Ersatz’ é uma palavra que descreve uma situação em que uma coisa está fingindo que é outra...” – pag – 116
O que percebi, com grande entusiasmo, no 6° livro das Desventuras em Série, é que o autor Lemony Snicket evoluiu o grau de aventura na vida dos Baudelaire. Quando nos outros livros, normalmente havia apenas um momento em que eles tinham de investigar e se aventurar, neste eles fazem isso durante toda a narrativa, sempre tentando desvendar os mistérios que envolvem os planos de Conde Olaf. Por isso, “O Elevador Ersatz”, pode ser mais atrativo pra quem tem uma queda profunda por aventuras nos livros infanto-juvenis. Espero, sinceramente, que Lemony não me decepcione nos próximos volumes e continue trazendo elementos diferentes para a azarada estória dos Baudelaire.

11/11/2012

#5 Inferno no Colégio Interno

Inferno no Colégio Interno, Lemony Snicket
Páginas: 200 | Editora: Companhia das Letras
Compre: SaraivaSubmarino | Livraria Cultura
Estou surpresa por ser, mais uma vez, surpreendida pelo autor Lemony Snicket. Ao começar o 5° livro das Desventuras em Série, eu esperava vários padrões que vieram se repetindo nos livros anteriores. Para quem leu a última resenha que postei sobre as aventuras dos irmãos Baudelaire na Serraria Baixo-Astral, sabe que fui surpreendida por o desenrolar da estória não ter sido o mesmo dos 3 livros anteriores e pelo Conde Olaf ter demorado um cadinho mais para aparecer com seu plano maligno contra essas crianças tão desafortunadas. No 5° livro, Inferno no Colégio Interno, um padrão que me incomodava mudou. As crianças que sempre acusavam de cara quando desconfiavam que alguém era o Conde Olaf disfarçado, dessa vez não fizeram isso e foram mais inteligentes, foi assim que eu não vim aqui dar uma criticadazinha no autor.

Neste livro, os Baudelaire são mandados para um colégio interno por não terem mais algum tutor aparente que possa cuidar deles. Lá eles conhecem a malvada Carmelita Spats e os adoráveis trigêmeos (que são gêmeos) Quagmire. Além do mais tem de lidar com um vice-diretor que acha que sabe tocar violino e que cria várias regras mirabolantes para manter a Escola Preparatória Prufrock em “ordem”, como por exemplo, fazer as crianças comerem com os braços amarrados para trás, ou sem talheres, quando chegam atrasados ou aparecerem no prédio administrativo sem hora marcada. Mas é claro que estamos acostumados com o sofrimento de Violet, Klaus e Sunny e estamos acostumados a ver o Conde Olaf aparecer disfarçado enganando a todos, menos aos Baudelaire. Desta vez, o vilão alto, com uma mono-celha e tatuagem de olho no tornozelo aparece como o novo professor de ginástica, com um turbante cobrindo a única sobrancelha e um tênis de corrida escondendo a tatuagem.

É importante ressaltar aos futuros leitores das Desventuras em Série que se você não for uma criança, provavelmente achara muitas coisas bobas na narrativa, mas você tem de entender que este livro é direcionado para o público infanto-juvenil e por isso é muito bem elaborado nesse sentido. Eu mesma, às vezes, me irrito com uma repetição de frase desnecessária ou uma explicação irritante, mas eu penso que se eu tivesse a idade para a qual o livro foi direcionado, eu provavelmente estaria adorando e imaginem, se eu já adoro com 19 anos nas costas, imagina se fosse mais nova. É isso que é tão interessante sobre essa série, de certa forma, ela serve para todas as idades. Tenho certeza que você se surpreenderia quando se visse amando as comparações que Lemony Snicket faz ao tentar explicar algo simples de forma muito mais engraçada e boa de pensar. Eu, pelo menos, adoro!

Narrativa rápida. Obviamente, de fácil entendimento. Boas risadas, mesmo de humor negro leve. Uma leitura extremamente prazerosa. O Inferno no Colégio Interno ainda tem uma partícula de sensação de ler Harry Potter, com aquelas cenas no refeitório em que as crianças comiam e pensavam sobre o grande vilão/problema. E ainda neste livro, um mistério é aberto para que possamos ficar ainda mais desesperados para ler a continuação, suspeito saber que mistério é esse, mas vale a pena querer descobrir logo. Haha! Então, não perca tempo e se divirta com Klaus, Sunny e Violet.

OBS: Fiquem ligados nas promoções do Submarino, porque de vez em quando eles colocam o preço do Box das Desventuras em Série lá embaixo.

28/10/2012

#4 Desventuras em Série: Serraria Baixo Astral

#4 Serraria Baixo Astral, Lemony Snicket
Páginas: 176
Editora: Companhia das Letras
Quando comecei a leitura deste livro, eu esperava encontrar a mesma condução da estória do que os dois anteriores, como mencionei na resenha do 3º volume da série, mas dessa vez foi diferente, pra começo de conversa, o inicio do livro tinha uma descrição incrível do novo lugar de morada dos Baudelaire, uma narração que não me lembro de ter lido nos últimos livros, algo mais detalhado, que me trouxe a sensação de estar na pele dos três irmãos desafortunados. A partir dai já fiquei bem animada para a leitura, pois me pareceu que o autor teve um amadurecimento em seu modo de escrita e eu adoro ver autores amadurecendo a ideia e largando alguns estilos antigos, mas infelizmente percebi um vício até a metade da obra que me incomodou bastante, a todo momento Lemony escrevia uma cena em que constava uma frase parecida com esta “Fulano andou, seus pés levantando poeira”, essa repetição me deixou meio desgostosa, o Snicket tinha criatividade suficiente para usar outra frase no lugar. 

No 4º livro das Desventuras em Série, os irmãos Baudelaire vão morar com o Senhor, um homem que tem a cabeça sempre coberta pela nuvem de fumaça e que obriga as crianças a trabalharem na Serraria Alto-Astral, sem almoço e um jantar ruim, além de deixa-los dormindo em uma beliche, junto com os outros funcionários da serraria. As crianças desafortunadas estão atentas desta vez, sempre de olho para qualquer sinal do Conde Olaf, mas dessa vez parece que ele não está em lugar algum e mesmo assim as crianças estão sofrendo, só que na mão do novo tutor maldoso e do capataz Flacutono

Este não é o meu volume preferido, na verdade, até agora, o é o que conquistou o meu coração, mas confesso que até agora este livro foi o que mais me deixou aflita. Ler sobre as situações que os Baudelaire se encontravam e ainda por cima sem sinal do Conde Olaf só meu deixou ansiosa e por isso devorei o livro rapidinho (em algumas horas, pra ser específica). Toda vez que eu pensava que tal pessoa era o Conde Olaf disfarçado eu me decepcionava com a notícia de que não era. A demora para que ele aparecesse (porque uma hora ele tem de aparecer né?) foi recheada de páginas virando em alta velocidade e meus olhos dançando freneticamente pelos parágrafos. 

De certa forma eu comecei a perceber algo que me incomodavam durante a leitura, mas eu não sabia bem identificar o que, talvez a repetição de muitas coisas e este ser apenas o 4º livro, mas estou esperançosa de que Lemony me surpreenda na sequência. Mesmo com alguns itens negativos na leitura, eu continuo amando os Baudelaire e eles já são muito especiais pra mim, como continuo dizendo em todas as resenhas e vocês já estão cansados de saber. :)