A Mansão Hollow, de Agatha Christie
Páginas: 224 | Editora: L&PM
Compre: Livraria Cultura
Comecei a ler
A Mansão Hollow com um pé atrás, pois o ultimo livro que li da minha xará foi
Os Elefantes Não Esquecem, que não me agradou muito. Cheguei a travar na metade de Hollow e não conseguia prosseguir na leitura de modo algum, o livro ficou parado por alguns dias até que me peguei pensando sobre quem seria o culpado do crime e percebi que a curiosidade tinha tomado conta de mim. Ainda bem, porque fiquei de boca aberta com o desfecho de tudo e é isso o que espero de um livro sobre crimes, é isso que espero de um livro de
Agatha Christie.
“Sim, era divertido saber mais do que as pessoas pensavam que nós sabíamos. Sermos capazes de fazer uma coisa, mas não deixarmos que ninguém percebesse isso.” – pag. 41
A Mansão Hollow é a mansão do campo da família Angkatell. Em alguns finais de semana a anfitriã convida os mais queridos para descansarem por lá e terem boas lembranças. Para entender melhor este livro, temos de entender cada personagem individualmente.
Lucy Angkatell é anfitriã da Mansão Hollow, uma senhora extremamente enfática, colorida, com uma mente que vive em um turbilhão 24h por dia. Ela está sempre esquecendo porque fez tal coisa ou porque está com algo na mão, ou está sempre entrando no quarto dos hóspedes de madrugada, com um assunto já começado por ela mesma, deixando o convidado desnorteado.
Sir Henry é o marido de Lucy, sempre compreensivo com as loucuras da mulher e um colecionador de armas.
John Christow é o assassinado. O motivo do livro, quem o matou e por quê? Um médico exemplar que se casou com uma mulher apenas pelo conforto. Ele tem tanto um amor antigo, quanto uma amante.
Gerda Christow é a esposa de John e uma mulher que todos consideram boba e lenta, pois demora a entender qualquer coisa. Vive sua vida em função do marido, sempre temendo errar e aborrecê-lo.
Henrietta é a amante de John, uma escultora que transpõe o que vê na argila. É uma mulher que se preocupa muito com os outros, coloca o bem estar do próximo muito acima do seu próprio.
Midge é a prima de Henrietta, cuja paixão por Edward é escondida por anos, mas sem esperanças, ela continua a viver sua vida, trabalhando duro, sem aceitar qualquer dinheiro da família.
Edward ama Henrietta e já a pediu em casamento 3 vezes, todas as vezes com recusas, pois o único homem para quem Henrietta tem olhos é John.
Esses são os personagens mais necessários para o entendimento da estória, mas um dos personagens mais importantes é com certeza Hercule Poirot, o famoso detetive criado por Agatha Christe que tem presença em mais um mistério. Dessa vez Hercule é realmente desafiado para encontrar o que é real e o que é encenação, o que é vivo e o que é morto. E eu adorei essa grande metáfora da estória, você só compreende se ler o livro, mas o modo como foi aplicada, é de uma inteligência e um toque muito especial. Admirei Agatha por seu incrível tato com o leitor, conduzindo-o pelo caminho mais fácil de resolver o crime e não o caminho verdadeiro. No final, você se vê dizendo: “Mas é claro que era isso!”, mas durante o livro, se essa possibilidade lhe passa pela cabeça, logo se afasta, pois não parece muito provável que um livro desses terminasse de tal maneira.
“Não tinha muita pena da fraqueza, mas sim do sofrimento, pois sabia que apenas os fortes conseguem sofrer.” – pag. 79
A narrativa é em 3º pessoa, mas sempre intercalando o foco em um personagem, aprofundando na vida dele, no jeito como se sente em relação ao acontecimento e à vida. Nos é entregue, pela autora, um dossiê completo para resolvermos o crime nós mesmos. Uma dica para quem vai ler... o desfecho não depende de acontecimentos e sim dos personagens, se eu tivesse dado valor a essência de cada um, talvez eu tivesse realmente desvendado o mistério, mas apesar de ter cogitado a possibilidade, a neguei por achar tolice de minha parte. Enfim, tenho de dizer que, se você quer conhecer a obra de Agatha Christie, A Mansão Hollow é uma bela pedida.