17/01/2015

#13 O Fim

O Fim, de Lemony Snicket
Páginas: 312 | Editora: Companhia das Letras
Compre: Livraria Cultura 
Depois de uma morte acidental e a destruição do Hotel Desenlace, os Baudelaire pulam em um barco com seu inimigo mortal, o Conde Olaf, contrariando todo o padrão de fugir do perigo, dessa vez eles navegam lado a lado com ele. As crianças tem de lidar com as surpresas marítimas e após serem capturados por uma tempestade monstruosa, os 4 tripulantes dão nas praias de uma ilha desconhecida e conhecem uma garota simpática chamada Sexta-Feira. A garota acolhe os três irmãos, mas deixa Olaf na plataforma costeira por ele ser uma pessoa maligna e por ser proibida qualquer perfídia dentro da ilha. Klaus, Sunny e Violet conhecem Ishmael, o facilitador do lugar e descobrem que apesar de se sentirem seguros, eles se incomodam muito com as regras de sua nova morada. Primeiro eles só podem usar uma túnica branca e longa, não podem comer nada com tempero e tem sempre de tomar cordial de coco, uma bebida um tanto suspeita. Qualquer objeto que acabe nas praias é proibido de ser utilizado por ameaçar a estabilidade do ‘governo’ da ilha.
“Quando você pensa em alguma coisa, isso acrescenta um pouquinho de peso ao seu caminhar...” – pag. 146
Por ser o último livro, acho chato dizer muitas coisas sobre ele, pois posso acabar soltando algum spoiler, por isso direi apenas as minhas considerações finais sobre O Fim das Desventuras em Série. Primeiro tenho de deixar claro que esse foi, pra mim, o pior livro da série, eu não apreciei em nada a leitura, o enredo foi terrível e a estória parecia ter sido escrita de qualquer jeito pra acabar com tudo o mais rápido possível. Os segredos foram revelados, mas nem pareciam que tinham de ser revelados pois não havia nada, absolutamente nada de extraordinário. Ou seja, O Fim foi a maior decepção para mim. Ainda mais depois de terem ficado milhares de pontas soltas.

Snicket abusou das mensagens subliminares, muitos acontecimentos nos remetem a histórias da bíblia e é tão óbvio que não passa despercebido, mas não é algo que remeta a uma inteligência minimalista do autor, de verdade, me pareceu que ele estava sem criatividade e estava desesperado para deixar mensagens atrevidas para os leitores assíduos das desventuras. Outro ponto extremamente negativo é o tanto que Lemony encheu linguiça, páginas inteiras relembrando toda a desventura, não só uma vez, mas duas ...três vezes. Era cansativo e minha vontade era pular as páginas pra ver logo o que aconteceria, mesmo que nada que ele escrevesse me deixasse curiosa.

Enfim... é muito triste terminar as desventuras desse jeito decepcionante, mas agora vou ler Lemony Snicket: Autobiografia Não Autorizada e ver se pelo menos aparece alguma luz sobre as pontas soltas.

12/01/2015

A Mansão Hollow

A Mansão Hollow, de Agatha Christie
Páginas: 224 | Editora: L&PM
Compre: Livraria Cultura 
Comecei a ler A Mansão Hollow com um pé atrás, pois o ultimo livro que li da minha xará foi Os Elefantes Não Esquecem, que não me agradou muito. Cheguei a travar na metade de Hollow e não conseguia prosseguir na leitura de modo algum, o livro ficou parado por alguns dias até que me peguei pensando sobre quem seria o culpado do crime e percebi que a curiosidade tinha tomado conta de mim. Ainda bem, porque fiquei de boca aberta com o desfecho de tudo e é isso o que espero de um livro sobre crimes, é isso que espero de um livro de Agatha Christie
“Sim, era divertido saber mais do que as pessoas pensavam que nós sabíamos. Sermos capazes de fazer uma coisa, mas não deixarmos que ninguém percebesse isso.” – pag. 41 
A Mansão Hollow é a mansão do campo da família Angkatell. Em alguns finais de semana a anfitriã convida os mais queridos para descansarem por lá e terem boas lembranças. Para entender melhor este livro, temos de entender cada personagem individualmente. 

Lucy Angkatell é anfitriã da Mansão Hollow, uma senhora extremamente enfática, colorida, com uma mente que vive em um turbilhão 24h por dia. Ela está sempre esquecendo porque fez tal coisa ou porque está com algo na mão, ou está sempre entrando no quarto dos hóspedes de madrugada, com um assunto já começado por ela mesma, deixando o convidado desnorteado.

Sir Henry é o marido de Lucy, sempre compreensivo com as loucuras da mulher e um colecionador de armas. 

John Christow é o assassinado. O motivo do livro, quem o matou e por quê? Um médico exemplar que se casou com uma mulher apenas pelo conforto. Ele tem tanto um amor antigo, quanto uma amante. 

Gerda Christow é a esposa de John e uma mulher que todos consideram boba e lenta, pois demora a entender qualquer coisa. Vive sua vida em função do marido, sempre temendo errar e aborrecê-lo. 

Henrietta é a amante de John, uma escultora que transpõe o que vê na argila. É uma mulher que se preocupa muito com os outros, coloca o bem estar do próximo muito acima do seu próprio. 

Midge é a prima de Henrietta, cuja paixão por Edward é escondida por anos, mas sem esperanças, ela continua a viver sua vida, trabalhando duro, sem aceitar qualquer dinheiro da família. 

Edward ama Henrietta e já a pediu em casamento 3 vezes, todas as vezes com recusas, pois o único homem para quem Henrietta tem olhos é John. 

Esses são os personagens mais necessários para o entendimento da estória, mas um dos personagens mais importantes é com certeza Hercule Poirot, o famoso detetive criado por Agatha Christe que tem presença em mais um mistério. Dessa vez Hercule é realmente desafiado para encontrar o que é real e o que é encenação, o que é vivo e o que é morto. E eu adorei essa grande metáfora da estória, você só compreende se ler o livro, mas o modo como foi aplicada, é de uma inteligência e um toque muito especial. Admirei Agatha por seu incrível tato com o leitor, conduzindo-o pelo caminho mais fácil de resolver o crime e não o caminho verdadeiro. No final, você se vê dizendo: “Mas é claro que era isso!”, mas durante o livro, se essa possibilidade lhe passa pela cabeça, logo se afasta, pois não parece muito provável que um livro desses terminasse de tal maneira. 
“Não tinha muita pena da fraqueza, mas sim do sofrimento, pois sabia que apenas os fortes conseguem sofrer.” – pag. 79 
A narrativa é em 3º pessoa, mas sempre intercalando o foco em um personagem, aprofundando na vida dele, no jeito como se sente em relação ao acontecimento e à vida. Nos é entregue, pela autora, um dossiê completo para resolvermos o crime nós mesmos. Uma dica para quem vai ler... o desfecho não depende de acontecimentos e sim dos personagens, se eu tivesse dado valor a essência de cada um, talvez eu tivesse realmente desvendado o mistério, mas apesar de ter cogitado a possibilidade, a neguei por achar tolice de minha parte. Enfim, tenho de dizer que, se você quer conhecer a obra de Agatha Christie, A Mansão Hollow é uma bela pedida.

25/12/2014

Relendo Lagoena

Lagoena: O Portal dos Desejos, de Laísa Couto
Páginas: 272 | Editora: Draco
Compre: Livraria Cultura | Livraria da Folha | Travessa
Quem acompanha meu blog sabe como me apaguei a Lagoena, esse lugar maravilhoso criado por Laísa Couto. Depois de ter lido o livro em formato digital no Bookseries, torcia para que Laísa recebesse seu reconhecimento e tivesse o livro publicado.

Qual foi minha felicidade quando ela me disse que esse sonho se tornaria realidade? Fiquei ansiosa para a chegada do livro e quando o vi em carne e osso, com dedicatória da Laísa e cheirinho de livro novo, quase me descabelei... terminei o livro que estava lendo às pressas e comecei a releitura dessa fantasia incrível.

Para quem não conhece, Lagoena conta a história de Rheita, que nasceu com uma cicatriz em forma de S em uma das mãos e teve de escondê-la com uma luva e se trancafiar na casa de seu avô joalheiro desde que nasceu. Pouco acostumada com o mundo lá fora, a menina admira a Rua dos Artesãos pela janela. Seu pai sumiu e sua mãe faleceu, seu avô, meio carrancudo, é sua única família, além de Dona Adeliz, que sempre vai visita-la levando os mais deliciosos doces.

Quando descobre a metade de um mapa misterioso no quarto de sua mãe, Rheita inicia uma aventura mágica, ao lado de seu novo amigo Khiel, o filho gago do sapateiro. As duas crianças vão parar em um mundo diferente do que vivem e este mundo se chama Lagoena, um lugar carregado de criaturas fantásticas e sentimentos puros enterrados. A garota descobre que foi destinada a este lugar, pois é uma Guardiã e sua missão é reunir 7 chaves que abrem o Portal dos Desejos, onde poderá pedir o que quiser e dar um pouco de paz a este novo lar.

A escrita de Laísa Couto é uma das melhores que já apreciei, tenho um orgulho imenso de seu talento e torço muito por seu sucesso. Ela utiliza de criaturas místicas adoráveis, muitas delas já conhecidas pelos leitores, como o Curupira. esse é um dos aspectos mais surpreendentes do livro, o dom que ela tem de inserir esses personagens como dela própria.

Recomendo a aventura para todas as idades, porque, de verdade, vale a pena ler e reler muitas vezes. Sinto um amor imenso por Rheita e Kiel e uma vontade avassaladora de mergulhar em Lagoena e ter a oportunidade de conhecer cada pedaço estampado no mapa. Em falar em mapa, o mapa que Rheita segue para cumprir sua grande tarefa, está nas primeiras páginas, criado pela própria autora. Eu ouvi dizer que livros com mapas são os melhores... enfim, mais um motivo pra acreditarem em mim quanto a necessidade de comprar este livro.

20/12/2014

#12 O Penúltimo Perigo


O Penúltimo Perigo, de Lemony Snicket
Páginas: 320 | Editora: Companhia das Letras
Compre: Saraiva | Livraria Cultura | Submarino
Confesso que até agora, este livro contém a aventura mais mirabolante dos órfãos Baudelaire, algumas vezes cheguei a ter um nó por não conseguir entender onde que todas aquelas informações iriam me levar, mas como este é o penúltimo livro, entendi que toda a confusão era necessária para o desfecho dessa série.

Logo depois de os órfãos entrarem em um táxi desconhecido, eles descobrem a verdadeira identidade da taxista misteriosa, ela é Kit Snicket (sim, irmã de Lemony). Ela os leva até o Hotel Desenlace, um Hotel que foi arquitetado para ser uma ilusão, ele é refletido perfeitamente em uma lagoa e por esse motivo, todos os números e palavras escritos nele, são escritos ao contrário, para que quando vistos na lagoa, pareçam do jeito certo. Assim mesmo como a gente brincava quando era criança, com aquelas mensagens escritas de trás pra frente, as letras invertidas, que colocávamos na frente do espelho para lermos direito. As três crianças se disfarçam de concierges para adquirirem informações sobre os hospedados no hotel, já que agora os Baudelaire também são voluntários da C.S.C.

O que posso dizer sobre o enredo e que não comprometa a leitura de vocês é que o misterioso açucareiro volta a ser peça importante da estória, mas perde o destaque. O Conde Olaf está presente, é claro, junto com sua trupe, mas dessa vez tem um papel diferente para os Baudelaire e Lemony Snicket fez questão de acrescentar um lado mais humano do vilão. Novos segredos são introduzidos para deixar o leitor curioso, mas ainda sem muitas informações para que possamos desvendar nós mesmos toda a teia de mistérios que nos envolvemos ao nos comprometermos com essas desventuras. E mais uma vez as crianças se veem em um dilema sobre se são nobres ou pérfidas, ou se são ambas as coisas, pois muitas vezes elas se encontram em situações que só atitudes vilanescas podem ajuda-las a escapar.
“A decisão de confiar ou não em uma pessoa é como decidir se você vai subir numa árvore ou não, porque você poderá talvez ter uma vista maravilhosa do último galho, ou então acabará simplesmente todo coberto de seiva (...)” – pag. 21
Lemony Snicket tem uma atitude interessante para um livro de crianças, ele não poupa tragédias, ele não tem medo de matar os personagens que nos conquistam o coração e ele não tem receios em botar fogo em tudo e fazer da morte algo natural. Acho muito corajoso da parte dele, criar uma narração pesada e que ao mesmo tempo seja divertida e digna de um livro de crianças (?). Outra coisa que gosto muito nessas desventuras são as páginas criativas, neste livro há frases que são escritas de modo invertido para que consigamos ler apenas indo ao espelho e em um outro livro em que o autor comentava sobre dejá-vu ele escreveu dois parágrafos iguais para que nós tivéssemos a mesma sensação do dejá-vu e neste “O Penúltimo Perigo” há uma arte de duas páginas em que um pedaço de um parágrafo é refletido embaixo, como em uma lagoa. Todos esses detalhes fazem dessa série algo incrível, existem várias artimanhas como esta em todos os treze livros, então nunca sabemos o que esperar dos próximos capítulos.

Estou um pouco triste em saber que estou prestes a terminar as Desventuras em Série, já estou me sentindo órfã de Klaus, Sunny e Violet, só espero que eles não me deixem por um incêndio, já que este é o assunto principal de todas as desventuras que desencadeiam na vida dessas crianças. Enfim... que venha o 13º livro.

10/11/2014

#11 Desventuras em Série: A Gruta Gorgônea

A Gruta Gorgônea, de Lemony Snicket
Páginas: 288 | Editora: Companhia das Letras
Compre: Saraiva | Livraria Cultura | Submarino
Vocês não acreditariam na velocidade em que devorei este livro. Faltam apenas mais dois para terminar as Desventuras em Série e já sinto uma pontinha de saudade florescendo no meu coração literário. A Gruta Gorgônea conta sobre a passagem dos irmãos Baudelaire pelo submarino Queequeg. Quando descendo desenfreadamente pelo Arroio Enamorado, com um tobogã improvisado por Violet, os três irmãos se deparam com um submarino e nele entram para não serem mortos pelos imprevistos do trajeto das águas. Lá conhecem Andarré, o capitão do submarino que fala muito apressadamente enquanto tenta dar ordens sem pé nem cabeça. O resto da tripulação é composta por Phil, que assumiu papel de cozinheiro, mas que as crianças já conheciam da Serraria Alto-Astral , e pela enteada de Andarré, Fiona, uma garota um pouco mais velha que Violet e que é uma micetologista (estuda fungos).
“... Mulheres mortas não contam histórias. Homens tristes as escrevem.” – pag. 5
Junto com seus novos três companheiros, os órfãos Baudelaire partirão em uma missão para encontrar o tal do açucareiro desaparecido e que tem sido disputado por tantas pessoas. Mesmo sem saber o que, de tão importante, se encontra dentro do açucareiro, eles se arriscam, saindo do Queequeg e adentrando uma escuridão profunda na Gruta Gorgônea, com suas roupas submarinas e seus dons preparados, os heróis descobrirão que muitas pessoas são voláteis e podem tanto estar do lado bom quanto do lado ruim e assim verão sua sorte ser mudada e remudada diversas vezes nesta aventura. É claro que o Conde Olaf continua aparecendo quando menos se espera, mas agora não se disfarça mais e já tem seu próprio submarino, o Carmelita, que funciona à base da escravidão de crianças inocentes.
“‘Aquele ou aquela que vacila está perdido.’ ... Positivo!” – página... bem... muitas páginas.
Além do inimigo que bate carteira em todos os livros, os Baudelaire encontram outro submarino muito maior e muito mais aterrorizante que consegue fazer até Olaf tremer nas bases, esse enorme pedaço de metal que aparece em momentos cruciais do livro é mais um mistério para encher nossa cabeça, mas tudo bem, agora já estou perto do desfecho dessa enorme desventura e aguardo ansiosamente para que todas as linhas soltas se amarrem com notável coerência, como eu sei que Lemony Snicket é capaz com sua criatividade. Aliás, a criatividade do autor é algo que me assusta, ele compara algo inexplicável a alguma situação que para ele, como espião, parece normal, mas para que nós é absurda e mesmo assim tudo faz sentido e tudo fica explicadinho.
“Muitas vezes é difícil admitir que alguém que você ama não é perfeito, ou considerar os aspectos menos admiráveis de uma pessoa.” – pag. 133
Algo que aparece desde o livro anterior e agora toma ainda mais forma em volta dos corações dos Baudelaire, é o amor pelo sexo oposto. Violet se apaixona por Quigley e Klaus, bom... Klaus se apaixona por alguém que ele encontra neste décimo primeiro livro e eu acredito que apesar de todas as dificuldades que essas crianças enfrentam, no final elas encontrarão um “felizes para sempre” com três pontinhos...

05/05/2013

As Vantagens de Ser Invisível

As Vantagens de Ser Invisível, de Stephen Chbosky
Páginas: 223 | Editora: Rocco
Esse mês eu e as meninas da irmandade das seis começamos tentando ler Lolita, mas após alguns capítulos percebemos que a leitura não ia pra frente e então passamos para a próxima opção... e mais uma vez me deparo com um livro que penso não ser capaz de resenhar, eu mais o senti do que li. Ele me trouxe uma sensação, um momento, como quando sentimos um cheiro e o caracterizamos como cheiro de infância sabe? Eu sei que vão ter coisas e momentos que vou ver, olhar, sentir e pensar neste livro. Até fazer uma sinopse é complicado porque querer descrever cada personagem é trapacear, já que vamos os conhecendo ao longo do livro, conforme o autor nos adiciona fatos de grande importância, então o que posso fazer é dizer que Charlie é um garoto diferente, ele não tem amigos pois perdeu seu melhor amigo ano passado para a morte, então ele apenas vive com seu jeito quieto e introspectivo. Charlie tem dois irmãos mais velhos, um já está na faculdade e a irmã é veterana na escola. Aos poucos somos apresentados às peculiaridades de Charlie, aos seus problemas mais secretos, como a morte de sua Tia Helen, algo que determinou um momento de antes e depois em sua vida, um acontecimento muito mais do que marcante e dolorido. 
"Para dizer a verdade, eu amo a Sam. Não é como nos filmes de amor. Eu só olho para ela às vezes e acho que ela é a pessoa mais bonita e mais legal em todo o mundo. Ela também é muito inteligente e divertida." - pag. 57
O livro é escrito em forma de cartas, são cartas que Charlie escreve para alguém que não sabemos quem, mas quem leu, por favor, me diga se você acha que ele escreve, especialmente, para cada um de nós, leitores? Porque foi essa a impressão que tive. Nas cartas Charlie apresenta seu professor Bill que o recomenda livros maravilhosos para que ele faça trabalhos. Ele apresenta sua família, seu cotidiano e sua personalidade de olhos inocentes. Além disso, ele conta como conhece Patrick e Sam, conta como Patrick é extrovertido e agitado e como Sam é linda e apaixonante, claro que logo ele passa a amá-la, mas o amor de Charlie é diferente, é como ele, puro, porque ele não quer desrespeitar ninguém nem em pensamento e tudo o que lhe importa para as pessoas que ele ama é que elas sejam felizes independentemente de com ele ao lado ou não. E eu achei muito legal o fato de que TUDO era foco do enredo e não só o romance e não só o mistério por trás de Charlie. 
"Subi a colina onde costumava usar o trenó. Havia muitas crianças ali. Eu fiquei vendo elas voarem. Dar saltos e apostar corridas. E pensei que todas aquelas crianças um dia iam crescer. E todas aquelas crianças iam fazer as coisas que nós fazemos. E todos eles beijarão alguém algum dia. Mas agora andar de trenó era o bastante. Acho que seria ótimo se bastasse um trenó, mas não é assim." - pag. 83
As Vantagens de Ser Invisível é o florescer da adolescência, é a descoberta do sexo, drogas e rock’n roll (haha). É a descoberta da realidade, é perceber que existem problemas e problemas e existem dramas, amores não correspondidos, segredos mortais e traumas de infância. Pra ser verdadeira com você, é um livro perturbador, que me tirou o chão quando li a ultima carta. Aliás, não só na última carta, pois Stephen Chbosky tem esse jeito incrível de te jogar uma bomba quando você está sorrindo de braços abertos, despreparado. Ele pode te falar que eles estão tomando sorvete, felizes, e que de repente o sol explodiu, simples assim, como se ele te dissesse que amanhã vai chover e não vão poder fazer uma festa na piscina. 

Charlie é um personagem construído fielmente da ponta do cabelo à unha do pé, o modo de escrita nas cartas diz muito sobre ele tanto quanto como descreve o que ele está passando no momento, se ele está ‘ruim’ você sabe pela confusão na escrita, se ele está triste, você percebe pela falta de vontade de escrever e a pressa de se despedir, enfim... pra mim esse livro é perfeito, só não o releio nesse exato momento porque tenho livros que tenho de ler logo, mas não vejo a hora de reler porque sei que verei tudo por uma perspectiva diferente já que na ultima carta Stephen nos mostra a verdade sobre Charlie, ele explica o porque de sua personalidade, seu trauma, tudo, mas ele explica sem te desenhar tim tim por tim tim, tanto é que tive de perguntar às meninas da Irmandade se era realmente aquilo que eu tinha entendido e eu gostaria que elas me dissessem que não porque essa ultima carta partiu meu coração e eu estou aqui com ele todo apertadinho de tristeza e raiva. 

"Não há nada como a respiração profunda depois de dar uma gargalhada. Nada no mundo se compara à barriga dolorida pelas razões certas. E essa era ótima." - pag. 169

Todo bom leitor sabe que, livro bom é aquele que te provoca sensações e esse superou minhas expectativas... e olha que eu já esperava muito dele. Me senti parte desse mundo de Charlie, em diversos momentos me lembrei dos meus amigos, quando saímos e colocamos nossas músicas preferidas e cantamos alto. Quando subimos no carro e deixamos o vento bater em nossos rostos e deixamos que embarace nossos cabelos, mas a gente nem liga porque em todos esses momentos, nós somos infinitos.


Para ler as resenhas das outras garotas da Irmandade, entre nos blogs delas:


O Filme 






É claro que, sendo o filme, dirigido pelo próprio Stephen, ele não poderia ser mais fiel. Acabei de assisti-lo e já estou clicando no play novamente. Cenas foram cortadas para que o filme fosse cabível no mundo cinematográfico, mas tudo bem, depois é só assistir os extras no dvd. E tenho que dizer... cada vez que um personagem era apresentado, cada vez que uma cena pela qual eu estava ansiosa aparecia, me formava um nó na garganta, senti vontade de chorar no filme inteiro. A atuação de Logan me surpreendeu, é claro que ele trouxe alguns cacoetes lá de quando ele interpretou Percy Jackson, mas eu fiquei surpresa por ele mostrar a personalidade do Charlie exatamente como eu havia imaginado, o jeito tímido, o jeito de quando está noiado, o olhar apaixonado, o modo introspectivo e toda a sua forma problemática, surtada e sentimental. Emma está impecável e o Ezra... bem, não tem muito o que dizer sobre ele né? o Cara é foda pra car****! To vivendo o The Perks of Being Wallflower, não quero me soltar dessa obra.