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09/06/2015

A Garota que Tinha Medo

A Garota que Tinha Medo, de Breno Melo
Páginas: 280 | Editora: Chiado
Quando vi a resenha desse livro no blog do Luciano, eu tive certeza de que teria de ler, primeiro por se tratar sobre um assunto tão delicado como a crise de pânico e segundo por ser de autor brasileiro. Com muito prazer, aceitei o convite do autor Breno Melo para ler sua obra e resenhá-la aqui no blog. Confesso que devido ao assunto, a leitura foi difícil, me senti muito incomodada e experimentei os mesmos medos que a personagem. Tinha que deixar um pouco o livro de lado e distrair a cabeça antes de voltar a ler.

Marina é uma garota que sempre se dedicou muito aos estudos e agora que tem um namorado e entrou em uma das faculdades que queria, começa a ter ataques de pânico dos mais tensos. Com direito a gritos, falta de ar, sentimento de engasgamento, suor, entre outros sintomas relacionados ao medo. 

No começo de tudo somos apresentados a uma menina normal que se esforçou na vida acadêmica inteira para estudar em uma boa faculdade, mas que no começo das aulas experimenta drogas com suas novas colegas de curso e vai parar no hospital com uma overdose. A história se passa no Paraguai e desde o começo o autor mostra como a personagem é cobrada por sua mãe em seus estudos, quase não tendo vida social. A garota tem um blog literário, gosta de tirar fotos e passear com seus cachorros, mas quando começa seus ataques de pânico, isola-se do mundo.

Para ajudar, seus ataques acompanhados de gritos ensurdecedores, transtornam todos ao seu redor, que não sabem o que está acontecendo e nem como lidar com a situação. Uma das primeiras pessoas a se afastar é seu terrível namorado Julio, que, assustado, a considera uma louca.

Breno Melo fez uma pesquisa impecável, nos apresentando tanto os sintomas, como conseqüências, curas e o modo como as pessoas ao redor devem lidar com um caso delicado como esse. 

Eu mesma já sofri de pânico com coisas pequenas como multidões, e ver os sintomas ali descritos me acertou em cheio no peito, tive medo de sentir o pacote inteiro da Marina, sendo que o que já senti era realmente pequeno comparado ao caso dela. Foi assim que aprendi muito mais sobre a doença e me interessei enquanto morria de medo do que poderia vir nas próximas páginas.

Posso adiantar pra vocês que o livro tem final feliz e isso compensou todo o sofrimento que vivi durante a leitura. Parabenizo o autor por conseguir escrever exatamente como a personagem escreveria, já que o livro é narrado em primeira pessoa e agradeço a oportunidade de ler algo assim tão complexo de forma tão bem explicada e real. 

Tá recomendado pra todo mundo, acho que essa é uma doença do nosso século, todos sofremos de ansiedade e, cada vez mais, é comum termos ataques de pânico. Ótimo mesmo é se informar sobre o assunto.